Nota pública de pesquisadores da Universidade de São Paulo sobre a crise da USP

Nós, pesquisadores da Universidade de São Paulo auto-organizados, viemos, por meio desta nota, divulgar o nosso posicionamento frente à recente crise da USP.

No dia 08 de novembro de 2011, vários grupamentos da polícia militar realizaram uma incursão violenta na Universidade de São Paulo, atendendo ao pedido de reintegração de posse requisitado pela reitoria e deferido pela Justiça. Durante essa ação, a moradia estudantil (CRUSP) foi sitiada com o uso de gás lacrimogêneo e um enorme aparato policial. Paralelamente, as tropas da polícia levaram a cabo a desocupação do prédio da reitoria, impedindo que a imprensa acompanhasse os momentos decisivos da operação. Por fim, 73 estudantes foram presos, colocados nos ônibus da polícia, e encaminhados para o 91º DP, onde permaneceram retidos nos veículos, em condições precárias, por várias horas.

Ao contrário do que tem sido propagandeado pela grande mídia, a crise da USP, que culminou com essa brutal ocupação militar, não tem relação direta com a defesa ou proibição do uso de drogas no campus. Na verdade, o que está em jogo é a incapacidade das autoritárias estruturas de poder da universidade de admitir conflitos e permitir a efetiva participação da comunidade acadêmica nas decisões fundamentais da instituição. Essas estruturas revelam a permanência na USP de dispositivos de poder forjados pela ditadura militar, entre os quais: a inexistência de eleições representativas para Reitor, a ingerência do Governo estadual nesse processo de escolha e a não-revogação do anacrônico regimento disciplinar de 1972.

Valendo-se desta estrutura, o atual reitor, não por acaso laureado pela ditadura militar, João Grandino Rodas, nos diversos cargos que ocupou, tem adotado medidas violentas: processos administrativos contra estudantes e funcionários, revistas policiais infundadas e recorrentes nos corredores das unidades e centros acadêmicos, vigilância sobre participantes de manifestações e intimidação generalizada.

Este problema não é um privilégio da USP. Tirando proveito do sentimento geral de insegurança, cuidadosamente manipulado, o Governo do Estado cerceia direitos civis fundamentais de toda sociedade. Para tanto, vale-se da polícia militar, ela própria uma instituição incompatível com o Estado Democrático de Direito, como instrumento de repressão a movimentos sociais, aos moradores da periferia, às ocupações de moradias, aos trabalhadores informais, entre outros. Por tudo isso, nós, pesquisadores da Universidade de São Paulo, alunos de pós-graduação, mestres e doutores, repudiamos o fato de que a polícia militar ocupe, ou melhor, invada os espaços da política, na Universidade e na sociedade como um todo.

Fábio Luis Ferreira Nóbrega Franco – Mestrando da Filosofia-USP
Henrique Pereira Monteiro – Doutorando em Filosofia-USP
Patrícia Magalhães – Doutoranda em Física – USP
Silvia Viana Rodrigues – Doutora em Sociologia-USP
Bianca Barbosa Chizzolini – Mestranda em Antropologia-USP
José Paulo Guedes Pinto – Doutor em Economia – USP
Daniel Santos Garroux – Mestrando Pós-graduação em Teoria Literária – USP
Andrea Kanikadan – doutoradando da ESALQ-USP
Nicolau Bruno de Almeida Leonel – Doutorando em Cinema-USP
Paula Yuri Sugishita Kanikadan – Doutora em Saúde Pública – FSP/USP
Luciana Piazzon Barbosa Lima – mestranda em Estudos Culturais – EACH-USP.
Gustavo Seferian Scheffer Machado – Mestrando em Direito do Trabalho – USP
Maria Tereza Vieira Parente – Mestranda em Arqueologia – USP
Marcelo Hashimoto, doutorando em Ciência da Computação-USP.
Luiz Ricardo Araujo Florence – Mestrando em Arquitetura e Urbanismo – USP
Jade Percassi – Doutoranda em Educação – USP
Maria Caramez Carlotto – Doutoranda em Sociologia-USP
Georgia Christ Sarris – Doutoranda Filosofia-USP
José Carlos Callegari – Mestrando em Direito do Trabalho – USP
Gilberto Tedeia – Doutor em Filosofia-USP
Anderson Gonçalves- Doutor em Filosofia-USP
Douglas Anfra – Mestrando em Filosofia – USP
Fábio H. Passoni Martins – Mestrando – Depto de Teoria Literária e Literatura Comparada
Eduardo Altheman Camargo Santos – Mestrando em Sociologia-USP
Fernanda Elias Zaccarelli Salgueiro – Graduanda Filosofia-USP
Guilherme Grandi – Doutor em História Econômica – USP
Yardena do Baixo Sheery – PPG Artes Visuais – ECA-USP
Lucia Del Picchia, doutoranda em Direito-USP
Fernando Rugitsky, mestre em Direito-USP
Ricardo Leite Ribeiro, mestrando em Direito-USP
Maira Rodrigues – doutoranda em Ciência Política – USP.
Ana Lúcia Ferraz – Doutora em Sociologia – USP.
Daniela Silva Canella, doutoranda em Nutrição em Saúde Pública – USP Tatiana de Amorim Maranhão – Doutora em Sociologia-USP
Ana Paula SAlviatti Bonuccelli – Mestranda em História – USP
Anderson Aparecido Lima da Silva – Mestrando em Filosofia – USP
José Calixto Kahil Cohn – Mestrando em Filosofia – USP
Antonio Fernando Longo Vidal Filho – Mestrando em Filosofia -USP
Bruna Della Torre de Carvalho Lima – Mestranda em Antropologia – USP
Ana Paula Alves de Lavos – Mestre em Arquitetura e Urbanismo – EESC – USP
Lucas Amaral de Oliveira – Programa de Pós Graduação em Sociologia – USP
Bruna Nunes da Costa Triana – Programa de Pós-Graduação em Antropologia – USP
José César de Magalhães Jr. – Doutorando em Sociologia – USP
Eduardo Orsilini Fernandes – Mestrando em Filosofia -USP
Ricardo Crissiuma – mestre em Filosofia USP
Philippe Freitas – Mestrando em Música – UNESP
Weslei Estradiote Rodrigues – Mestrando em Antropologia – USP
Bruno de Carvalho Rodrigues de Freitas – Graduando em Filosofia – USP
Camila Gui Rosatti – Graduando em Ciências Sociais – USP
Martha GAbrielly Coletto Costa – mestranda em Filosofia – USP
Rafael Gargano – Mestrando em Filosofia – USP
Antonio David – Mestrando em Filosofia – USP
Pedro Alonso Amaral Falcão – Mestrando em Filosofia – USP
Lígia Nice Luchesi Jorge, PPG em Língua Hebraica, Literatura e Culturas Judaicas – USP
Camila Rocha – Mestranda em Ciência Política – USP
André Kaysel – Doutorando em Ciência Política – USP
Michele Escoura – Mestranda em Antropologia -USP
Vladimir Puzone -Doutorando em Sociologia-USP
Arthur Vergueiro Vonk – Mestrando em Teoria Literária e Literatura Comparada – USP
Renata Cabral Bernabé – Mestranda em História Social – USP
Raquel Correa Simões – Graduanda em Filosofia – USP
Danilo Buscatto Medeiros – Mestrando em Ciência Política-USP
Ana Flávia Pulsini Louzada Bádue – Mestranda em Antropologia-USP
Carlos Henrique Pissardo. Mestre – Dep. de Filosofia da USP e Diplomata.
Anouch Kurkdjian – Mestranda em Sociologia-USP
Léa Tosold – Doutoranda em Ciência Política-USP
Pedro Fragelli – Doutor em Literatura Brasileira-USP
Christy Ganzert Pato – Doutor em Filosofia – USP
José Agnello Alves Dias de Andrade – Mestrando em Antropologia – USP
Nicolau Dela Bandera – doutorando em Antropologia USP
Felipe de Araujo Contier – Mestrando em Arquitetura-IAU-SC-USP
Mauro Dela Bandera Arco Júnior – mestrando em Filosofia USP
Ane Talita da Silva Rocha – mestranda em Antropologia – USP
Juliana Andrade Oliveira – Doutoranda em Sociologia
Reinaldo César – Doutorando em Ciência dos Materiais – USP
Manoel Galdino Pereira Neto – doutor em ciência política da USP
Carlos Filadelfo de Aquino, doutorando em Antropologia USP.
Jonas Marcondes Sarubi de Medeiros – mestrando em Filosofia-USP
Ana Letícia de Fiori – Mestranda em Antropologia – USP
Gonzalo Adrián Rojas – Doutor Ciência Política USP
Mariana Toledo Ferreira – Mestranda em Sociologia – USP
Julia Ruiz Di Giovanni – Doutoranda em Antropologia Social
Caio Vasconcellos – doutorando em sociologia – USP
Reginaldo Parcianello – doutorando/Literatura Portuguesa – USP
Fernando Sarti Ferreira – mestrando em História Econômica – USP
Júlia Vilaça Goyatá – mestranda em Antropologia- USP
Maria Aparecida Abreu – doutora em Ciência Política – USP
Bruno Nadai – Doutorando em Filosofia – USP
João Alexandre Peschanski – Mestre em Ciência Política – USP
Lucas Monteiro de Oliveira – Mestrando em história social – USP
Fabrício Henricco Chagas Bastos – Mestrando em Integração da América Latina – USP
Rafaela Pannain – Doutoranda em Sociologia- USP
Bernardo Fonseca Machado – mestrando em Antropologia – USP
Victor Santos Vigneron de La Jousselandière – mestrando em História – USP
Gabriela Siqueira Bitencourt – mestre em Letras – USP
Dalila Vasconcellos de Carvalho , Mestre em Antropologia Social-USP.
César Takemoto Quitário – mestrando em Letras – USP
Maíra Carmo Marques – mestranda em Letras – USP
Ana Carolina Chasin – doutoranda em sociologia-USP
Dimitri Pinheiro – doutorando em sociologia-USP
Natália Fujita – doutoranda em Filosofia – USP
Julio Miranda Canhada – doutorando em Filosofia – USP
Caio M. Ribeiro Favaretto Mestrando Dpto de Filosofia – USP
Juliana Ortegosa Aggio – doutoranda em Filosofia – USP
Bruna Coelho – mestranda em Filosofia – USP
Ana Carolina Andrada – mestranda em Sociologia – USP
Karen Nunes – mestranda em sociologia – USP
Monise Fernandes Picanço – Mestranda em Sociologia – USP
Arthur Oliveira Bueno – Doutorando em Sociologia – USP
Guilherme Nascimento Nafalski – mestre em Sociologia – USP
Tatiane Maíra Klein, Mestranda em Antropologia Social/USP
Ana Paula Bianconcini Anjos – doutoranda em Letras – USP
José Paulo Martins Junior – Doutor em ciência política – USP
Demétrio Gaspari Cirne de Toledo – Doutorando Sociologia – USP.
Pedro Fragelli – Doutor em Literatura Brasileira-USP
Evandro de Carvalho Lobão – Doutor em Educação – FE/USP
Walter Hupsel – Mestre em Ciência Política – USP
Carina Maria Guimarães Moreira e sou doutoranda em Artes Cênicas na UNIRIO.
Marinê de Souza Pereira – Doutora em Filosofia-USP
Fabiola Fanti – Mestre em Ciência Política – USP
Verena Hitner – mestre em Integracao da America Latina – USP
Fabio Cesar Alves – Doutorando- Teoria Literária- FFLCH- USP
Frederico Hnriques – Mestre em Sociologia pela USP
Fábio Pimentel De Maria da Silva – Mestre em Sociologia – USP
Natália Bouças do Lago – mestranda em Antropologia USP
Fábio Silva Tsunoda – mestrado em sociologia – USP
Terra Friedrich Budini, doutoranda em ciência política – USP
Natália Helou Fazzioni – Mestranda em Antropologia Social – USP
Renato Bastos – Mestre em História Econômica – USP
Andreza Tonasso Galli – Mestranda da Sociologia -USP
Andreza Davidian – mestranda em Ciência Política – USP
Dioclézio Domingos Faustino – Mestrando – Filosofia – USP
Fernando Costa Mattos – Doutor em Filosofia – USP
Joaquim Toledo Jr – Mestre em Filosofia pela USP.
Erinson Cardoso Otenio – doutorando em filosofia – USP
Berilo Luigi Deiró Nosella, sou doutorando em Artes Cênicas na UNIRIO
Rafael Alves Silva – Doutorando em Sciências Sociais – UNICAMP
Ludmylla Mendes Lima – Doutoranda em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa – USP
Tânia Cristina Souza Borges – Mestranda em Letras – USP
Miguel Barrientos – Doutorando em Ciência Política – USP.
Eveline Campos Hauck – Mestranda em filosofia pela USP
Mariana Zanata Thibes – Doutoranda Sociologia – USP
Nahema Nascimento Barra de Oliveira Mestre em Ciencias Humanas – USP
Manoel Galdino Pereira Neto – Doutor em Ciência Política-USP
Gonzalo Adrián Rojas – Doutor em Ciencia Politica-USP
Miguel Barrientos – Doutorando em Ciência Política-USP
Maria Aparecida Abreu – Doutora em Ciência Política-USP
Pedro Feliú – Doutorando em Ciência Política – USP
Fernando Gonçalves Marques – Doutorando em Ciência Política-USP
Petronio De Tilio Neto – Doutor em Ciência Política-USP
José Paulo Martins Junior – Doutor em Ciência Política-USP
Renato Francisquini – Doutorando em Ciência Política-USP
Júlio César Casarin Barroso Silva – Doutor em Ciência Política-USP
Francisco Toledo Barros – Mestrando em Arquitetura e Urbanismo
Marcia Dias da Silva – Mestre em História Social – USP
Maira Rodrigues – doutoranda em Ciência Política – USP.
Ivana Pansera de Oliveira Muscalu – Mestranda História Social – USP
Renata Lopes Costa Prado – Doutoranda do Programa de Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano – USP
Emi Koide – Doutora em Psicologia – USP
Mario Tommaso Pugliese Filho – Mestre em Literatura Brasileira – USP.
Gabriela Viacava de Moraes – Mestranda em Literatura Brasileira – USP
Tatiane Reghini Matos – Mestranda em Letras – USP
Andréia dos Santos Meneses – Doutoranda em Letras – USP
Kátia Yamamoto – Mestranda em Psicologia USP
Lygia de Sousa Viégas – Doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano da USP.
Daniel Gomes da Fonseca – Mestrando em Teoria Literária e Literatura Comparada – USP
Michelangelo Marques Torres – mestrando na Unicamp e graduado pela USP
Luana flor Tavares Hamilton – mestrança em psicologia – USP
Renan Honório Quinalha – mestrando em Sociologia Jurídica na USP
Adriana De Simone – Doutora em Psicologia – IP/USP
Grazielle Tagliamento – doutorado PST – USP
Tamara Prior- mestranda em História Social – USP
Airton Paschoa -Mestre em Literatura Brasileira – USP
Daniela Sequeira – mestra em Ciência Política – USP
Thaís Brianezi Ng – doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental – USP
Davi Mamblona Marques Romão – mestrando – PSA – Psicologia
Rafael Godoi – Doutorando em Sociologia -USP
Vanda Souto – Mestranda em Ciências Sociais – UNESP – Marília
Pedro Rodrigo Peñuela Sanches – Mestrando em Psicologia USP
Grazielle Tagliamento – Doutoranda Psicologia – USP
Monica Loyola Stival – Doutoranda em filosofia – USP
Tatiana Benevides Magalhães Braga Doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela USP
Regina Magalhães de Souza, doutora em Sociologia – USP
Ludmila Costhek Abilio – Mestre em sociologia – USP
Gabriela Viacava de Moraes – Mestranda em Literatura Brasileira – USP
Tatiane Reghini Matos – Mestranda em Letras – USP
Andréia dos Santos Meneses – Doutoranda em Letras – USP
Edson Teles – doutor em Filosofia – USP
Julia Maia Peixoto Camargo – Graduanda em Ciências Sociais-USP
Rodnei Nascimento – Doutor em filosofia – USP.
Rafael Luis dos Santos Dall’olio – Mestrando em História Social – USP
Ana Aguiar Cotrim – Doutoranda em Filosofia – USP
Tercio Redondo – Doutor em Literatura Alemã – USP
Maria Cláudia Badan Ribeiro Doutora em História Social – USP
Pedro Mantovani- Mestrando em Filosofia- USP
Stefan Klein – Doutorando em Sociologia – USP
Wagner de Melo Romão, doutor em Sociologia -USP
Maria de Fátima Silva do Carmo Previdelli – Doutoranda em História Econômica – USP
Felipe Pereira Loureiro – doutorando em História Econômica – USP
Thiago de Faria e Silva – Mestre em História Social – USP
Marcus Baccega – Doutor em História Medieval – USP
Luciana Moreira Pudenzi – Mestre em Filosofia – USP
Daniela Jakubaszko – Doutora em Ciências da Comunicação pela ECA-USP
Leo Vinicius Maia Liberato, ex-pos-doutorando no Departamento de Filosofia da USP
Maria Lívia Nobre Goes – Graduanda em Filosofia-USP
Agnaldo dos Santos – Doutor em Sociologia – USP
Annie Dymetman doutora em Ciências Sociais – USP
Evandro NoroFernandes – Mestre em Geografia- USP
Wilma Antunes Maciel – Doutora em História Social – USP
Luciano Pereira – Doutor em filosofia – USP
Guilherme Varella, mestrando em Direito de Estado
Constância Lira de Barros Correia Rodrigues Costa – Mestranda em Ciência Política – USP
Ester Gammardella Rizzi – Mestre em Filosofia e Teoria Geral do Direito – USP
Cristiana Gonzalez – mestranda em sociologia – USP
Rafaela Aparecida Emetério Ferreira Barbosa – Mestranda em Direito do Trabalho – USP
Franco Nadal Junqueira Villela – Mestre em Ciência Ambiental – USP
Clara Carniceiro de Castro, doutoranda em Filosofia-USP
Marcelo Netto Rodrigues – mestrando em Sociologia – USP
Elisa Klüger – mestranda em sociologia – USP
Marilia Solfa – Mestre em Arquitetura – USP
Pedro Feliú – Doutorando em Ciência Política – USP.
Renato Francisquini, doutorando em Ciência Política – USP
Júlio César Casarin Barroso Silva – doutor em Ciência Política – USP
Andreza Davidian – mestranda em Ciência Política – USP
Andrea Kanikadan – doutorando em Ecologia Aplicada na ESALQ em Piracicaba.
Miguel Barrientos – Doutorando em Ciência Política – USP
Diogo Frizzo – Mestrando em Ciência Política – USP
Vinicius do Valle – Mestrando em Ciência Política – USP
Carolina de Camargo Abreu – Doutoranda em Antropologia – USP
Tatiana Rotolo- Mestre em Filosofia pela USP
Pedro Ivan Moreira de Sampaio – Graduando em Direito PUC-SP e Filosofia – USP
Thaís Brianezi Ng, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental – USP
André-Kees de Moraes Schouten – Doutorando em Antropologia Social – USP
Alvaro Pereira – Mestre em Direito – USP
Vinícius Spira – mestrando em Ciências Sociais – USP
Rafael Faleiros de Pádua, doutorando em Geografia-USP
André Luis Scantimburgo – Mestrando em Ciências Sociais pela UNESP de Marília/SP.
Rosemberg Ferracini – Doutorando em Geografia Humana – Universidade de São Paulo – USP
Lucas Brandão – Mestrando em Sociologia-USP
Márcia Cunha – doutoranda em Sociologia – USP
Nilton Ken Ota – doutor em Sociologia – USP
Felipe Figueiredo – Bacharel em Letras – USP
Bruno Boti Bernardi – Doutorando em Ciência Política – USP
Roberta Soromenho Nicolete – Mestranda em Ciência Política – USP
Lara Mesquita – Mestre em Ciência Política – USP
Milene Ribas da Costa – Mestre em Ciência Política – USP
Katya dos Santos Schmitt Parcianello – mestranda em História Econômica/ USP
Alcimar Silva de Queiroz – Doutor em Educação – USP
Paulo Vinicius Bio Toledo – mestrado Artes Cênicas
Ruy Ludovice – mestrando em Filosofia – USP
Pollyana Ferreira Rosa – Mestranda em Artes Visuais – USP
Patrícia de Almeida Kruger – Mestranda em Letras – USP
Giselle Cristina Gonçalves Migliari – Mestranda em Literatura Espanhola – USP
Wellington Migliari – Mestre em Literatura Brasileira – USP
Diana P. Gómez – Mestranda Antropologia Social
Simone Dantas – Mestranda em Letras-USP
Eduardo Zayat Chammas, mestrando em História Social – USP
Maristela de Souza Pereira – Doutoranda em psicologia – USP
Virginia Helena Ferreira da Costa – Mestranda em filosofia – USP
Gustavo Motta – mestrado Artes Visuais – USP
Luiz Fernando Villares, doutorando Faculdade de Direito – USP

Como criar um POVO IDIOTA

Vamos divulgar esse vídeo:

OCCUPY YOUR PLANET!

Occupy!

Precisamos nos fazer ouvidos!

O Governo: Um mito

Diferentemente de toda a propaganda oficial, o governo não é um ente que administra uma sociedade em benefício do povo, da liberdade, ou da democracia. Na realidade, o governo administra o Estado com a finalidade de atender às necessidades das empresas que ali atuam. Toda e qualquer decisão tomada pelo governo, baseia-se sempre na melhor alternativa possível para garantir e até aumentar os lucros e a potência do empresariado nacional, beneficiando a indústria e os bancos, por exemplo, sempre indiferente aos verdadeiros interesses diretos do povo em si.

A maior parte dos interesses que o povo acredita possuir são deliberadamente inventados de acordo com as conveniências que o governo defende, e mesmo aqueles benefícios reais que o povo recebe é disponibilizado de forma secundária, concedido conforme entender-se necessário para a realização de algum objetivo maior do setor empresarial, ou até mesmo acontece de ser disponibilizado de forma acidental, como reflexo daquilo que esse setor empresarial obteve. Assim, se o governo decide controlar a inflação, reprimir a criminalidade ou dar início a uma guerra, por exemplo, terá sempre em mente o melhor interesse dos bancos, de sua indústria nacional, do setor empresarial como um todo, e o eventual discurso (de defesa do meio ambiente, da liberdade, ou da democracia, dentre outros utilizados) não passa disso: discurso.

Não existem limitações morais ou legais para as decisões e ações de um governo, mas seu discurso será sempre o mais doce possível aos ouvidos do povo, propositalmente. Com o auxílio de instituições oficiais de “criação da verdade”, dentre elas a mídia de comunicação de massa e as instituições educacionais, garante-se que o povo seja sempre mantido privado desses mecanismos, o que torna bem simples essas manobras governamentais.

Desafios Acadêmicos para o Desenvolvimento Sustentável da Região Sul-Fluminense

Eis o século XXI: é chegada a hora de entrarmos em sintonia com a natureza. Todo o conhecimento acumulado e o avanço tecnológico já alcançado pela humanidade devem servir a um novo paradigma, qual seja, o de integrar, de forma harmoniosa e, portanto, responsável, as atividades humanas à sanidade ambiental.

O progresso da humanidade é inexorável, e certamente desejável. Há muito ainda para nos desenvolvermos e essa evolução é necessária. Mas, para crescermos, precisamos a todo instante garantir nossa sobrevivência, e em tal sentido torna-se cada vez mais urgente abandonarmos de vez a concepção mecanicista, irresponsável e fragmentária, que prioriza o lucro a todo custo, com base em um mesquinho parâmetro econômico que visa apenas o benefício de curto prazo, negligenciando as perigosas consequências a longo prazo de cada decisão, de cada ato.

A natureza é nosso lar. Se não for saudável, como sobreviveremos? Afinal, sempre precisaremos de ar puro para respirar, de água potável para nos hidratar, e das outras espécies animais e vegetais para nos garantir alimento, já que não passamos de mais uma peça nesta complexa teia da vida, em que a interação de cada integrante desempenha um papel imprescindível para o equilíbrio de todo o sistema.

É nesse sentido que se traduz a importância da pesquisa acadêmica na busca de alternativas que viabilizem o necessário progresso da humanidade. Um progresso que seja sustentável, de visão holista, que nunca descuide da proteção à natureza, consciente que, ao preservarmos o meio ambiente estamos preservando nossa própria existência.

O meio acadêmico é o responsável pela propagação dessa mensagem, plantando em cada indivíduo a semente da responsabilidade ambiental, a consciência que ainda falta a um povo tão sofrido como o povo brasileiro, que está longe de ter um acesso satisfatório ao conhecimento, à educação de qualidade e a uma vida digna, conforme merece. Ao pesquisar, divulgar e democratizar o conhecimento e a informação, barateando as tecnologias sustentáveis, o meio acadêmico estará prestando seu relevante serviço à humanidade, sua verdadeira vocação, que é a de beneficiar a todos, e ainda mais, a de beneficiar a toda a biosfera.

Esse delicado contexto apresenta-se, em nossa região, amplificado, tornando ainda mais premente a responsabilidade dos nossos meios acadêmicos. Em nível nacional, é, a nossa região, aquela que vive a maior das revoluções, a cada dia surgindo novas fronteiras a serem exploradas, com crescentes desafios ao equilíbrio entre o progresso e o bem estar ambiental. A siderurgia, a indústria aeronáutica e naval, a energia nuclear, o crescimento da indústria turística e, mais recentemente a exploração no polo do pre-sal, fazem-nos pioneiros em desafios únicos e inéditos, que precisam de nossa especial atenção.

Are your Thoughts your own?

Mass mind control through network television

by Alex Ansary

from OutsideTheBox Website

 

Why do countless American people go along with the War on Iraq?

Why do so many people call for a police state control grid?

A major component to a full understanding of why this kind of governmental and corporate corruption is to discover the modern science of mind control and social engineering. It’s baffling to merely glance at the stacks of documentation that this world government isn’t being constructed for the greater good of humanity.

(…)

Experiments conducted by researcher Herbert Krugman reveal that when a person watches television, brain activity switches from the left to the right hemisphere. The left hemisphere is the seat of logical thought. Here, information is broken down into its component parts and critically analyzed. The right brain, however, treats incoming data uncritically, processing information in wholes, leading to emotional, rather than logical responses. The shift from left to right brain activity also causes the release of endorphins, the body’s own natural opiates – thus, it is possible to become physically addicted to watching television, a hypothesis borne out by numerous studies which have shown that very few people are able to kick the television habit.

It’s no longer an overstatement to note that the youth today that are raised and taught through network television are intellectually dead by their early teens.

The dumbing down of humanity is represented by another shift which occurs in the brain when we watch television. Activity in the higher brain regions (such as the neo-cortex) is diminished, while activity in the lower brain regions (such as the limbic system) increases. The latter, commonly referred to as the reptile brain, is associated with more primitive mental functions, such as the “fight or flight” response. The reptile brain is unable to distinguish between reality and the simulated reality of television. To the reptile brain, if it looks real, it is real. Thus, though we know on a conscious level it is “only a film,” on a conscious level we do not – the heart beats faster, for instance, while we watch a suspenseful scene.

(…)

Turn on your local newscast. You have a few minutes of blue-collar crime, hardly any white-collar crime, a few minutes of sports, misc. chit chat, random political jibber-jabber, and a look at the weather that no one is forecasting correctly. Is that what happened in your town? And we’re supposed to own the airwaves! The mainstream media openly supports the interests of the prison industrial complex. The stories focus on minority criminal groups, and exploit the real threat to appear much more dangerous than they are. Think about the growing per capita number of prisoners in the country. Then remember that this is happening at the same time that our prison boom began. The police on our streets have created criminals. The focus is to keep us in a state of fear, that way the elitists can attack any group they want to without fear of consequence. This is why the media is continuing to craft the timeless art of dehumanization.

(…)

Most importantly, notice the repetition behind the lies that the politicians and their corporate media groupies tell us. You see, the unimaginable fallacies are created as ‘truth’ not because it’s logical or provable, but because of the broken record technique. No matter how ridiculous the lie, it’s repeated often enough that the brain doesn’t know the difference between reality and nursery rhymes. This technique is underestimated in its ability to allow the puppeteers to hypnotize millions of people. Instead of “Fair and balanced” it’s “We say it enough times, and you believe it.”

(…)

Once we come to the conclusion that the media is intentionally deceiving us, we can apply the principles of problem-reaction-solution. This formula takes a problem by either creating it or allowing it to happen and presenting that to the population. It could be terrorism, molestation, extra terrestrials. These topics create fear and no one in their right mind would support terrorism or crime. It’s therefore OK to blast the television, the papers, and radio with ‘the problem.’ The natural reaction from the people is a request for more control to ensure more safety. Most let their fear and emotional side control their decisions and usually translated into something like,”The government needs more power over our lives to make us safer and freer from tyranny. I believe what the media tells me so I will support whatever decisions they make.”Today’s mainstream corporate news program discourages dissent of the war and paints activists with a negative brush that hints of treason. At the same time, the so-called journalists are cogs in a much larger machine who know that if they report a story that paints the government in a dark light, is likely to remain on ‘the wire’ and off the front pages.

(…)

When you get to the other side of the terror alerts of all shapes and sizes, you find another nightmare masquerading as the savior. The ‘Ministry of Truth’ will protect you. The mother government is here to rescue you and squash this brown terrorist bug, this gray alien, this avian bird flu, and every other nightmare that the nightly news brought you.

(…)

Related messages in the script demonize young minority males and suggest harsh punishments for crimes they commit. They don’t come out overtly and state their racist agenda. They come at you from the side by airing the same crime news repetitively, usually when it’s committed by the minority group. The networks love the fact that the TV sets the norms in society and today, and hence politically opinion.

(…)

Hypothetically, if a producer on a network did get away from a feature story exposing government corruption at the highest levels, chances are the large impact necessary wouldn’t be realized because the average viewer’s brain has already been conditioned to seek out certain types of disinfotainment.
The media has created the picture perfect society that could exist if we only did things their way, (their interests/government interest). It tells us what happiness is and what it is not and same for love, hate or anything else they can implant into our sub consciousness. We can become the perfect slave to the system through indoctrination given through network TV.

Over time the messages are becoming increasingly racist, violent, and dishonest. But the programming began decades ago and few have the eyes to see it for what it has become. We live in a world where the populations give their minds away to the official version of the event, where utopia is right around the corner when big brother is riding shotgun. It’s a world where Hollywood can make you believe anything, even that you are free.

It’s a world in which the prosecutor and the judge sit on the same side of the bench. The most obvious reason that our minds are being controlled on a massive scale psychologically, is become our culture has been conditioned incriminatingly to a TV, a radio, or a paper. We are given the world reality through a screen, some ink, or radio waves. The truth is hiding in plain site. The indoctrination through these mediums warns us that views other than those presented by them are unimportant and too be condemned. This Administration and media monopoly has a carefully crafted dehumanization program to anyone that dissents the official version of events. Some people are wrong about 5% of the time. Some are wrong most of the time. I wish I was wrong all the time. A lot of people deal with these intense realities, by asking me rhetorically, “What is the solution, smart guy?”

(…)

If our collective Free Will created this nightmare, then only our collective free will change it. The battle begins in the heart and mind of the beholder, and then extends outward from there, only to those open to the information.

(…)

Once you wake up, it’s as if a hypnotist came along and snapped his fingers. You wake up and say to yourself, “Oh my god. I can see it now. Why did it take me so long to wake up?!”

For some of you it can be a major shock.

(…)

Remember, the journey of a thousand miles begins with a single step.

 

Leia o artigo completo na Biblioteca Pleyades.

 

O lançamento do documentário Zeitgeist: Moving Forward será amanhã. Veja o trailer.

Hands off Wikileaks!

A Internet está sob ataque. Nossa liberdade está ameaçada!

A guerra contra o Wikileaks é um atentado contra todos nós, contra o direito que temos de nos expressar, de questionar, de informar e de nos informar.

Os Estados, nossos governantes, são naturalmente totalitaristas, e como tal, estão sempre a reprimir a livre expressão e até o livre pensamento.

Não é à toa que as instituições oficiais (órgãos governamentais, empresas, escolas, etc), criadas para fortalecer o status quo, não fazem mais do que reprimir e submeter os indivíduos, atuando no adestramento e condicionamento de cada ser humano, buscando nos transformar em marionetes-papagaios que não devem pensar, mas apenas respeitar, ter medo, repetir mecanicamente e dar lucro.

Dentre as instituições oficiais, há a mídia tradicional (televisão, rádio, jornais, revistas) que está adstrita às regras impostas pelo totalitarismo governamental, tanto por dependerem de concessão (do governo) para que existam, quanto porque precisam do capital proveniente de anunciantes (que são as próprias instituições oficiais). Isso faz com que dificilmente atuem com plena liberdade. Não são capazes, desse modo, de contribuir significativamente à constante luta em defesa da liberdade.

Na verdade, essa mídia tradicional não faz mais que reforçar a alienação dos seres humanos, já que, estando de acordo com os desígnios das instituições oficiais a mídia tradicional obtém maiores lucros financeiros. Não há espaço, portanto, na mídia tradicional, para as mentes questionadoras-não-conformistas, que são aqueles indivíduos que conseguem escapar da lavagem cerebral quotidiana, e que não aceitam o totalitarismo e injustiças reinantes.

Mas aí surgiu a Internet. Espaço onde qualquer pessoa detém o poder de expressão de suas idéias e de acesso às idéias de outras pessoas: espaço que permite o livre intercâmbio mundial da informação, sem os limites impostos (capital, dogmas, fronteiras, licenças) pelas instituições oficiais. É na Internet que o indivíduo questionador pode se opor a governos e grandes empresas, dogmas e mentiras, e para o status quo totalitário isso é um grande risco.

Tamanho risco vem causando uma forte reação por parte das instituições oficiais. Uma reação terrorista: A estratégia é essa mesmo, a do terror. Criam-se monstros online, inimigos a serem perseguidos para que a população sinta medo da Internet. A mídia tradicional nos aterroriza com lendas sensacionalistas de hackers, pedofilia, al-qaeda, virus, etc, etc, etc, e ficam martelando essas estórias até que ficamos convencidos de tais perigos (uma mentira repetida várias para que se torne verdade) e amedrontados, suplicamos ao Estado que nos proteja. E em meio ao combate contra o “inimigo-monstro”, aceitamos, finalmente, abrir mão de nossas liberdades para benefício do status quo.

A Internet tem o potencial de promover um salto na evolução da humanidade: Entenda a Internet como uma imensa rede sináptica que interliga as mentes de cada ser humano e que aumenta exponencialmente nossas capacidades. A repressão imposta pelas instituições oficiais vêm deliberadamente barrando o desenvolvimento da humanidade. Nossa realidade atual, nossas instituições e dogmas, ainda presos a um medievalismo inaceitável estão com os dias contados, basta que cada um de nós se levante contra aqueles que pretendem nos privar da liberdade.

Originalmente postado em 11/12/2010.

O Liberal e o Totalitário

 

Que país é esse?!

 

 

Quem ganha com o aviltamento dos profissionais liberais?

Quem ganha com a saúde pública, a justiça pública, a segurança pública, a previdência pública, a educação pública, sempre de baixíssima qualidade?

Ser um profissional liberal num país em que a população mal tem renda suficiente para se alimentar é uma experiência árdua, para não dizer frustrante.

Inviável pagar uma consulta a um médico, psicólogo, advogado, um tratamento dentário, contratar um arquiteto e um engenheiro, se falta dinheiro até para o pão pela manhã.

Sem clientes, sem pacientes, fica cada vez mais difícil ao profissional manter dignamente sua função liberal na sociedade.

É uma estratégia totalitária manter o povo cada vez mais dependente dos serviços públicos, do inchaço nos empregos públicos, e pior, manter os indivíduos cada vez mais viciados na esmola pública,  que não faz mais que, literalmente, comprar os votos da parcela mais ignorante e miserável da população: a grande maioria.

Esse cenário cria uma espécie de retroalimentação que garante cada vez mais poder para o Estado, ao arrepio das liberdades individuais e com resultados catastróficos para a economia como um todo, enfraquecendo a livre iniciativa.

O profissional liberal chega, em certo ponto, a não mais conseguir suportar o peso dessa batalha, e logo passará ele também a ser mais um a aumentar e agravar a pressão nos inchados empregos públicos, ou pior, a engrossar a fila daqueles desafortunados dependentes das bolsas-esmolas públicas, nas filas nas defensorias e hospitais públicos.

Originalmente postado em 24/05/2010.

Governo: O culpado pela nossa tragédia

Não há legitimidade no poder que se justifica às custas da alienação de um povo: isso não passa de charlatanismo.  O resultado inevitável desse charlatanismo é o que estamos vivenciando: a tragédia e o caos onipresentes. É para isso que serve o governo? Se for, não quero, obrigado.

O governo (enquanto não o extinguirmos) não deve permitir que indivíduos ocupem áreas de risco – isso é óbvio por um simples motivo: A sociedade quotidianamente tolhe o autodomínio dos indivíduos, os quais são deliberadamente alienados, perdendo a consciência em seus atos. Com os indivíduos convenientemente embrutecidos, é o governo quem deve assumir as responsabilidades necessárias à sobrevivência da sociedade, guiando paternalisticamente o gado então criado. O problema é que o governo não faz jus a tal responsabilidade: então o caos se instala, e a maior vítima é sempre o homem-gado.

O homem esclarecido vive numa comunidade sem elites, e detém o poder que o autodominio lhe proporciona. Esse indivíduo não é gado pois age conscientemente, com responsabilidade.

Não há espaço para um governo elitista-genocida numa sociedade esclarecida.

Originalmente postado em 09/04/2010.

De Olho na Amazônia: Ainda o novo intervencionismo

Qual a definição para “proteção de minorias”, “defesa da democracia” (e, mais recentemente “proteção ao meio ambiente”)?  Países poderosos poderiam facilmente manipular tais princípios, de modo nada sublime.  Deve ser assegurado o caráter humanitário de novas intervenções do tipo visto em Kosovo.  Neste sentido, uma importante questão a ser levantada é se o interesse econômico é fator preponderante que leva à adoção de tais princípios, o que seria, não só lastimável, mas aterrorizante.  Infelizmente, parece que essa é a realidade que se apresenta, como foi suscitado por Luiz Garcia:

“Até mesmo avanços científicos têm seu peso:  se, dentro de uma década ou duas, for possível tirar energia da água do mar (e os estudos sobre a fusão nuclear fria estão quase lá) não será surpresa se a indignação ocidental com a ditadura de Saddam Hussein no Iraque murchar tão rapidamente quanto a importância das reservas de petróleo do Oriente Médio inteiro”. (GARCIA, Luiz.  Conflitos Forçam Superpotências a Redefinir Ações.  O Globo, Rio de Janeiro, 16 jan. 2000, O Globo 2000, n. 35, p. 818-819.)

O interesse econômico, sendo mola propulsora de intervenções, leva o mundo a uma verdadeira selvageria.  Nações poderosas, com a ajuda da mídia, e até de algumas ONGs, podem transformar qualquer fato sem relevância suficiente numa desculpa para invadir, fragmentar e pilhar uma nação mais fraca.  Isto pode ser feito, por exemplo, instigando o surgimento de um grupo que reclame por uma pretensa autodeterminação, que só existe na cabeça dos articuladores de tal ato criminoso.  A população, sendo facilmente manipulável pela promessa do paraíso em forma de uma nova nação, aceitaria a luta pela criação de mais um pequeno Estado, surgida da fragmentação (que dizem acompanhar naturalmente a globalização).  Está criado então um novo Estado, pronto para servir aos interesses econômicos das grandes potências.

Nenhum Estado está imune a esta ameaça.  O Brasil mesmo é um dos países que mais poderão ser prejudicados caso haja uma adoção descuidada da fórmula sugerida pelos articuladores do novo intervencionismo pela comunidade internacional.

Nos dias atuais, diversas são as manifestações vindas do exterior que demonstram uma tendência de personalidades e governos estrangeiros a interferir em assuntos domésticos brasileiros.  Em contrapartida, muitos são os brasileiros que estão atentos a esta situação e se mostram preocupados.  Sandra Cavalcanti, Secretária Municipal de Projetos Especiais, no Rio de Janeiro, referindo-se aos indígenas encontrados em terras brasileiras, quando do seu descobrimento, afirma indignada:

“Cabral não conquistou um país.  Cabral não invadiu uma nação.  Cabral apenas descobriu um pedaço novo do planeta Terra e, em nome do rei, dele tomou posse (…) foram identificadas mais de 250 tribos diferentes.  Falando mais de 190 línguas diferentes.  Não eram dialetos de uma mesma língua.  Eram idiomas próprios, que impediam as tribos de se entenderem entre si.

“(…)O vocabulário dos atuais compêndios não usa a palavra tribo.  Eles adotam a denominação implantada por dezenas de ONGs, que se espalham pela Amazônia, sustentadas misteriosamente por países europeus.  Só se fala em nações indígenas.

“Existe uma intenção solerte e venenosa por trás disso.  Segundo alguns integrantes dessas ONGs, ligados à ONU, essas nações deveriam ter assento nas assembléias mundiais, de forma independente.  Dá para entender, não?  É o olho na nossa Amazônia.  Se o Brasil aceitar a idéia de que, dentro dele, existem outras nações, lá se foi a nossa unidade”.  (CAVALCANTI, Sandra.  Brasil nunca pertenceu aos índios.  Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 21 abr. 2000. Opinião, p.9.)

E, comentando sobre os debates da Constituinte de 1988, ela lembra que “eles bem que tentaram, de forma ardilosa, fazer a troca das palavras.  Mas ninguém estava dormindo de touca e a Carta Magna ficou com a palavra tribo.  Nação, só a brasileira”.

A opinião acima citada mostra uma justificável preocupação com a integridade do Brasil, frente a esse novo cenário que se apresenta internacionalmente.  Essa não é, vale ressaltar, uma opinião isolada, como demonstra a seguinte matéria:

“O comandante militar da Amazônia, Luiz Gonzaga Lessa, disse ontem que a defesa da Amazônia pode ser utilizada como pretexto para intervenção armada no Brasil por parte de países desenvolvidos.  Segundo ele, a intervenção militar motivada pela proteção ao meio ambiente é tendência da próxima década.

“Atualmente, afirmou, predominam as intervanções de caráter humanitário.  Ao depor na CPI da atuação da FUNAI, na Câmara, o general afirmou que o princípio da não-intervenção começa a ser posto de lado, como conseqüência da globalização.

“O general mostrou também um cartão postal britânico que diz Fight for the Amazon – Burn a Brazilian (Lute pela Amazônia – Queime um brasileiro), e disse que o governo precisa convencer a opinião pública internacional de que está defendendo o meio ambinete na região”.  (Comandante diz temer uma intervenção da Amazônia.  Gazeta do Povo On-Line, Curitiba, 16 jun. 1999, Brasil.  Arquivo consultado em 2000)

Deve-se fazer uma análise profunda da situação.  Entender qual a motivação dos países da OTAN para agir em tamanha desconformidade com as regras do DIP.  Isso é importante para que se tenha uma real noção do que é o sistema do novo intervencionismo para o mundo.  Louis Henkin (Apud MELLO, Celso D. de Albuquerque.  Curso de Direito Internacional Público.  11. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 1997. 2v.), ao tratar do respeito às regras de Direito Internacional, observa que “os Estados só violam o DIP quando a vantagem disto é maior que o custo dentro do ‘contexto de sua política exterior’”.  Para Henkin, as hipóteses que podem levar um país a violar o DIP são, entre outras:  “quando a violação traz maiores vantagens do que prejuízos e quando o autor da violação pode colocar a sociedade internacional diante de um ‘fato consumado’ que não seja suficientemente relevante para conduzir a uma guerra, porque as sanções de natureza moral não o atingirão de modo efetivo”.  Merece destaque, ainda, outra hipótese trazida por Henkin.  É a de que “muitas vezes a violação é ilegal, mas é considerada justa, porque as normas jurídicas existentes são ultrapassadas e não atendem às necessidades atuais”.  É exatamente esta a justificativa dada pelas potências da OTAN para sua ação em Kosovo.  Mas, seriam realmente humanitários os interesses dessas nações?  Segundo Celso de A. Mello (1997, pp. 71-72), “geralmente as grandes potências que dispõem de um variado elenco de meio de pressão para obter o que desejam só cometem violações flagrantes naqueles casos em que os seus interesses são também muito grandes”.  Uma benção que sejam tão grandes as preocupações humanitárias das grandes potências.  Nesse caso estamos realmente caminhando para uma sociedade justa…

Adaptado de Aplicação da Carta das Nações Unidas:  O Problema do Novo Intervencionismo.

Originalmente postado em 12/06/2008.
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